Literatura

The Wild e a Polêmica do Incesto

The Wild é um exemplo das autoras que romantizam o abuso.

Gostou da leitura? Não será agradável que direi nas linhas abaixo.

Foi o blog Compulsivamente Literária que me alertou sobre a publicação da autora K Webster, com o nome de The Wild. Não sabia o que era até ler e para ser completamente honesta, não sei como cheguei até o fim. Confesso que houve uma parte da minha cabeça que entrou em parafuso por semanas. The Wild foi o livro sobre incesto que causou polêmica. Se pararmos para pesquisar nos grupos que disponibilizam livros traduzidos e não publicados no Brasil, é o que mais encontramos.

E para você que não sabe o que The Wild fala, resumidamente, temos uma família que após anos sem saber lidar com uma tragédia se mudam para “o meio da natureza”. Um pai, uma mãe e uma filha adolescente na fase de entrar para escola. A mãe pouco fala e reage após perder o filho. O pai é o “que mantém” a família. A filha faz a sua parte tentando ser um membro daquilo. E quando eles se mudam, um acidente acontece e a mãe acaba por falecer, deixando o pai e a filha no meio daquele lugar completamente selvagem onde compraram um terreno para começar suas vidas. Longe de pessoas. Longe de tecnologia.

E o que acontece?

O pai e a filha começam um relacionamento. E o posicionamento da autora sobre os acontecimentos é o que mais dá vontade de afogar. Ela escreve toda aquela situação como positiva. E justifica no fato que eles não são biologicamente ligados. O que não muda o fato que a relação é extremamente abusiva e os acontecimentos que estouram naquele lugar tornam o livro literalmente um pesadelo selvagem. E o problema não está somente em The Wild. Ao longo dos anos temos vistos o número de histórias com relacionamentos abusivos.

CONFIRA A RESENHA DO LIVRO.

Mocinhos que desprezam suas antigas parceiras pelo envolvimento sexual (mas estava bom enquanto durou, certo?). Sempre criando aquele ar de animosidade e competição entre a mocinha e a ex. Além do fato que a maior parte dos mocinhos são ricos e trazem as suas novas paixões passados obscuros que normalmente as levam aceitar qualquer coisa que o babaca pode fazer. Não sei como está na moda fantasiar esse tipo de relacionamento em um período onde o mundo inteiro está lutando contra. Que tal pararmos para analisar de onde isso tudo vem?

Usando novamente o botão da pesquisa, encontramos uma série de filmes eróticos à bad word ô no qual o incesto é visto com algo sexy. Uma fantasia a ser realizada. E nós já sabemos que homens tendem a desejar reviver aquela fantasia ensaiada nos livros. Inclusive, em sua maior parte, espelham posições e tipos “de sexo” que muitos são vistas nesses filmes. Há um número preocupante de mulheres buscando cirurgias intimas para ficarem parecidas com as mulheres que seus companheiros desejam nos filmes. Assim como vemos print’s de homens dizendo que se “sustentam a mãe e a filha” eles tem direitos sobre elas. E aí surge aquela história de filmes com nome de “sexy enteada” ou “padrasto fo** enteada quando a mãe está fora”.

O primeiro passo para mudar é não aceitar nas histórias que mocinhos sejam abusadores. Que as relações abusivas de forma alguma tornem-se normais ou eróticas. E principalmente as relações familiares, jamais devemos aceitar que seja normal ou bonito um padrasto envolver com sua afilhada menor de idade. Muito menos que um pai, biológico ou não, case-se com sua própria filha em uma situação onde ela não tem maturidade – e mais ninguém para acolhê-la na vida. Não aceite que seu parceiro te trate como uma atriz bad word ô se isso não te faz confortável. E não queira transforma-se em um personagem apenas para agradar outra pessoa sexualmente. E por tudo que mais sagrado, vamos parar de consumir histórias onde o final feliz é uma mocinha subjugando quem ela é.

Isso não é romance. E não devemos espelhar na vida real.