Editora Novo Conceito Resenha

Resenha – Tudo e Todas as Coisas

“Olho pela minha janela para o caminhão de mudança, e então o vejo. Ele é alto, magro e está vestindo preto da cabeça aos pés. Seus olhos são de um azul como o oceano. Ele me pega olhando-o e me encara. Olho de volta. Descubro que seu nome é Olly. Talvez eu não possa prever o futuro, mas posso prever algumas coisas. Por exemplo, estou certa de que vou me apaixonar por Olly. E é quase certo que será um desastre”.

Fiquei parada por horas pensando em como começar a escrever esta resenha. Estou sentada em frente a minha mesa olhando para o livro e para tela. E sabe se lá quantos pensamentos já correram pela minha cabeça. Fui na cozinha começar o preparo do almoço, coloquei água para a gata e chamei atenção do cachorro. Da grande porta de vidro da sala, olhei a vida lá fora. Estou sem sair de casa desde ontem, não posso dizer que não vi a “civilização” pessoalmente, mas sei que reclamei de ter que sair na hora que eu gostaria de dormir. Foi um dia corrido e agora que li Tudo e Todas as Coisas, sinto que normalmente sou ingrata por reclamar da minha liberdade de ir e vir. De ter opção de sair e não somente olhar o que acontece na rua, no meu quintal e até mesmo na casa do vizinho através do vidro da porta da sala.

Estou ouvindo o som suave de 5 a seco, com lágrimas nos olhos, porque faz tempo que não leio uma história tão emocionante. E a verdade, que apesar de muita gente por aí não conseguir compreender esse livro, é porque é preciso realmente se colocar no lugar da personagem de Tudo e Todas as Coisas. Estamos falando sobre Madeline, uma garota aparentemente comum, mas que possui alergia a todas as coisas que existe no mundo. Desde pequena vive trancafiada em seu quarto, tendo contato apenas com sua mãe e a enfermeira, Carla. Seu quarto é equipado para que sua vida possa se desenvolver ali dentro e sua maior distração é olhar a vida lá fora, uma que ela nunca poderia participar.

AQUI E AGORAA matemática do Olly diz que a gente não pode prever o futuro. Acabei descobrindo que também não podemos predizer o passado. O tempo passa em ambas as direções – para frente e para trás – e o que acontece aqui e agora  muda o que passou e o que ainda virá.

Um dia ela observa pela janela, a mudança da casa lado e encontra Olly, o garoto pelo qual tudo mudou. Mads, como carinhosamente apelidei, não é a personagem dramática, apesar da vida que é obrigada levar. Ela é vivaz, criativa, cheia de boas ideias, espirituosa e corajosa. Ela é dona do maior coração que já pude presenciar em uma história e o romance é tão doce, cheio de aventuras deliciosas e ousadias inocentes, que dá saudade de um amor que eu nunca vivi. Tem capítulos leves, outros bem mais pesados de drama, alguns momentos de tensão e apesar de ter amado a forma como a autora lidou com o romance, não posso deixar de ressaltar a importância do relacionamento de Mads com suas mãe e como ela é, na verdade, a causadora de toda história que muda completamente o que Madeline acredita sobre a vida e o mundo.

Tudo e Todas as Coisas é repleto de ilustrações. Há desenhos para todo lado, capítulos curtos, doces, demonstrações de conversas, e-mails trocados, recibos de compras, passagens de avião, é todo muito bem feito, fofo. A capa é uma das minhas favoritas, porque eu dificilmente consigo gostar de capas que tem fotos ao invés de uma diagramação mais original. É toda colorida, cheia de vida, que representa exatamente o que a autora nos dá de presente durante a história. Faz um tempinho que a Novo Conceito publica algo tão bom, a editora tem muitos títulos, houve uma época que tinha muitos lançamentos, mas agora tem bem menos e bem melhores. A qualidade melhorou bastante. Recomendo mesmo, dei cinco estrelas no skoob e quero conversar com quem leu, trocar ideias! Comentem aqui também!

No instagram terá uma coletânea de fotos sobre o livro. Não deixe de me seguir lá: MundiMari

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