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Resenha – Redenção de Um Cafajeste

Sexta-feira ensolarada – nem tanto, mas quase lá, sentei animada para escrever (na verdade, metade da resenha escrevi quando li, então, tecnicamente estou atualizando alguns parágrafos) a minha tão sonhada e nunca publicada resenha de Redenção de Um Cafajeste da Nana Pauvolih, autora cujo eu só conhecia na internet, não tinha oportunidade de conhecer seu trabalho até que foi publicada e depois aprendi as tretas da Amazon. E é uma delícia poder ter na minha estante um livro nacional, porém, eu não dei cinco estrelas no skoob e agora vocês vão descobrir o porquê.

Redenção de Um Cafajeste conta a história de Maiana, uma simples garota de uma das zonas mais “pobres” do Rio de Janeiro, que luta para terminar a sua faculdade pública, manter o emprego, sustentar sua casa com uma mãe preguiçosa, encostada e muito ingrata assim como uma irmã caçula desmiolada, sem noção e muito mimada. Essa relação “cinderela” me incomodou logo de cara, porém, a escrita da Nana é extremamente agradável e não parei de ler apenas por esse fato, afinal, a Maiana se mostrou uma personagem resistente, apesar de boba (e trouxa, porque toda mulher tem que ter sua cota de origami na vida), ela soube lutar por si mesma quando necessário, mas, assim como ninguém é perfeito, seu defeito tem nome e sobrenome: Arthur Moreno, que corresponde a todos os clichês possíveis e imagináveis, exceto por um: Ele não é um dominante! Rá! Na verdade, uma estrelinha foi bem por isso.

A relação entre eles começa bem tensa e muda muito rápido. Uma hora Maiana está furiosa que ele possa ter corrompido sua irmãzinha totalmente corrompida e batido nela, outra hora ela está apaixonada por ele, sabendo que ele poderia ser algo da sua irmã e arrasta vários pensamentos que é errado ficar com alguém que sua irmã gosta (?) e ao mesmo tempo fica encantada com Arthur, que é muito bonito ao julgar pela capa do livro. Estou acostumada a ler e inclusive escrevo histórias eróticas, mas eu não classificaria Redenção de Um Cafajeste como erótico e sim como bad word ô explícito. As cenas de sexo eram muitas, de pular várias páginas porque é impossível aguentar, as palavras de baixo calão também, sinceramente, não sou pudica, nem mesmo fico envergonhada com sexo ou coisas relacionadas, mas no meu ponto de vista, Arthur precisava de tratamento e não de “redenção”.

Passei semanas analisando e separei três pontos que quero deixar bem claro aqui:

1 – O fato dele ser um cafajeste torna compreensível todos os tipos de palavras e apetites sexuais, mas eu acredito que não era necessário a descrição minuciosa em todas as 30 (exemplo) vezes que o casal fez sexo no livro.

2 – A literatura erótica é muito bem vinda e eu gosto sim, mas, existe uma linha tênue entre erotismo e bad word ô e quando ela é perdida, no MEU ponto de vista, a leitura perde o X interessante de sensualidade.

3 – E é totalmente compreensível o porquê Arthur é um cafajeste. Ele não acordou um dia e decidiu ser cafajeste. Foi criado para pensar que nenhuma mulher estava aos seus pés e estudando a psicologia da (desculpa aí) vaca da avó dele, não me admira que ele não tenha decidido ser homossexual. Um dos exemplos mais forte que pude reunir sobre a personalidade dele é:

“Tinha sido uma vida inteira me sentindo superior. Mais rico, mais inteligente, mais bonito. Um rei em meu mundo. Se ninguém podia comigo, para que me rebaixar? E, no entanto, era muito mais fraco do que os outros. Era medroso. Eu me escondia em meu mundinho seguro onde ninguém se aproximava demais e onde era sempre eu a descartar o que não queria, a usar e ganhar. Agora eu não tinha nada. Nada que realmente me importasse. E o futuro parecia vazio. Oco.”

O pouco romance em contraste com as muitas cenas de sexo não românticas tornou difícil acreditar no amor dele. Era plausível uma paixão, apesar de rápida, da parte dela, afinal, ele foi uma experiência e mudança radical em sua vida, causador de muitos problemas como libertou-a de muitos outros. Para ele, na minha concepção, Maiana era sexo. Não sei em que ponto foi construído algum tipo de sentimento já que não houve cenas para tal. No final da história, com o envolvimento do Matt, achei que era puro recalque, mas a insistência e “mudança” dele até me convenceu de que ele realmente amava Maiana.

O livro não é ruim, como disse, a escrita da Nana é agradável, mas em alguns momentos fiquei confusa com a narrativa, que mudava de terceira para primeira meio que do nada, eu não sei até que ponto está certo porque me permito avaliar um livro até onde entendo. Eu gostei da diagramação, a fonte é maravilhosa, não precisei usar óculos, não demorei a ler apesar dos incômodos, comecei oito e quinze e terminei por volta de uma e meia da manhã. E eu gostaria de deixar claro que se um cara aprontasse comigo metade das coisas que o Arthur aprontou com Maiana, ele ficaria sem as bolas!

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