Editora Arqueiro Resenha

Resenha – Ligeiramente Casados

Mary Balogh é uma das minhas autoras favoritas, pela sua contextualização da mulher em outro século e por escrever sobre pessoas com títulos em contraste de pessoas que não o possuem ou não estão nem aí para tal, mas a necessidade daquele tempo expressa exatamente a sociedade que temos hoje e ainda nos achamos evoluídos só porque temos tecnologia. Ligeiramente Casados conta a história do Coronel Lorde Aidan Bedwyn que após fazer uma promessa ao Capitão Percival Morris de cuidar da sua irmã Eve, chega ao Solar Ringwood para descobrir o que a irmã do seu companheiro de guerra precisa.

“Como agora lhe parecia tola a lembrança de sua decisão de se casar com Eve, levá-la para Londres para a cerimônia, trazê-la de volta para casa e deixá-la para sempre. Como se tudo fosse parte de uma manobra militar bem organizada: rapidamente realizada, rapidamente esquecida.” 

Aidan Bedwyn descobre que Eve perderá tudo que tem, a casa, os funcionários peculiares e as crianças que cuida por conta da morte prematura do seu irmão. Ele se vê sem saída diante da promessa e a propõe em casamento, a fim de salvá-la de viver de favor com um primo asqueroso. O que ele não imagina, é que a sua viagem rápida se estende por mais uns dias e quanto mais ele fica, mais ele percebe que a sua noiva não é uma dama como todos esperam. Ela é feroz, bondosa, de coração aberto, com o cérebro na ponta da língua e longe de ser uma donzela em apuros, precisando ser protegida por algum homem. Eve é o tipo de mocinha que gosto, mas, mesmo que ela tenha grandes diálogos e dê para perceber bem a sua personalidade, senti que o livro ficou extremamente curto. Todo romance é baseado em Aidan e Eve passando semanas juntos, se perguntando se o casamento um dia seria real, ela na dúvida se ele seria capaz de largar os campos e batalha e ele na dúvida se um dia ela seria capaz de ser uma esposa que obedece a um homem.

“Eu me casei com ela porque sou um homem de honra e protejo as mulheres sempre que isso está ao meu alcance.”

Conhecemos o local que Eve vive e as pessoas mais próximas de sua família, mas quando o irmão mais velho de Aidan exige que a nova Bedwyn seja apresentada a Rainha, podemos imaginar um pouco do roteiro dos próximos livros e a diferença entre ambas as famílias. Ela é uma mulher caipira comparada ao local que Aidan foi criado, mas ele também não é o que podemos chamar de pessoa fina e educada, sendo um homem de guerra, está acostumado a condições precárias, muita grosseria e uma vida regada a pouco. E o que mais me entristece no livro é que promete muito e se desenvolve pouco. Ele é muito rápido, extremamente curto, pouco explorado em certos aspectos e uma lenga lenga sem fim em outros, mas é excelente para analisar posturas daquela época, medidas adotadas por famílias em relação ao matrimônio, heranças e como pessoas sem poder podem ser julgadas facilmente.

E para encerrar essa resenha que já está ficando enorme, que apesar dos seus defeitos, este livro é um romance de época super válido, porque possui todos os ingredientes que dão certo em uma história. Fico feliz que a Editora Arqueiro tem se empenhado em trazer mais publicações para o Brasil. Muita gente reclama, mas essa galerinha novata não sabe o que é namorar diversos títulos em inglês sem ter esperanças de publicação e ficar rezando por uma cópia traduzida que nem sempre era fiel ao texto. A Mary Balogh não é como as outras autoras, ela possui um ritmo e um foco totalmente diferente e por isso nem sempre suas histórias fisgam nas primeiras páginas. E também há ausência do humor-bobo.

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Comentários

  1. […] da Arqueiro foi apresentado e quem quiser saber a minha opinião sobre o primeiro livro da série, basta clicar nessa frase. Ligeiramente Maliciosos é o número 2 da série dos Bedwyns – que não precisa […]