Editora EA Resenha

Resenha – Os 13 Porquês

Finalmente! Nossa! É realmente um alívio. Não sei realmente quantas indicações recebi, principalmente depois que a Selena Gomes – uma das cantoras que sou realmente fã e acompanho o trabalho, passou a indicar incansavelmente e também a falar sobre a série que estava produzindo junto com Netflix (estreou dia 31 de março e preferi ler o livro antes de começar. Enquanto escrevo esta resenha, estou assistindo o primeiro capítulo) e por isso, ficou rolando na minha lista de leitura, acabou que o tempo passou mais rápido que deveria e agora, domingo, seis e meia da tarde, terminei de ler e estou com várias sensações, pensamentos espalhados por todo lado e espero conseguir reunir minhas ideias com clareza. É realmente difícil falar sobre depressão e suicídio com tanta clareza, sem romantizar como vejo muitas pessoas dançando por aí, vendendo a imagem de “sad girl” como se fosse realmente fácil viver com depressão.

A história é contada por Clay, com a ajuda de Hanna, que cometeu suicídio dias antes e ele recebe pelo correio, uma caixa de sapato com sete fitas, gravadas em ambos lados, com treze razões que ela veio a desistir da sua vida, não antes de ter afundado completamente em depressão, completamente perdida em si mesmo e na vida que não reconhecia mais como sua. E Clay é aquilo que chamados de pessoa certa no caminho errado. E infelizmente, o livro não é o que chamados de mais detalhado possível e ainda assim ele consegue ser tão pesado, difícil de ler alguém detalhando os motivos pelos quais desistiu da sua vida e conforme os capítulos vão passando, é fácil ver que a Hanna “otimista” da primeira fita vai se tornando aquela garota que sabe que vai viver seu último dia no dia seguinte. E ela é uma garota, filha única, bonita, amada pelos seus pais, mas que recebeu um alvo na testa logo que chegou a uma nova cidade – não sabemos qual e nem quando, o livro não tem menções temporais, é focado nos 13 porquês e não responde a maior parte das perguntas que pode surgir sobre coisas completares a isso.

Também não podemos culpar o autor, ele não promete respostas, ele apenas está ali, sutilmente, fazendo Clay reviver momentos que ele não estava diretamente envolvido, mas que precisava para entender os caminhos de Hannah e os demais personagens envolvidos na sua morte. Apesar da decisão de ter tirado a sua própria vida surgiu dela, não foi a única e muito menos a fracassada a desistir de lutar por si mesma e para sobreviver no meio de toda aquela loucura. São 13 pessoas, que estão conectadas e interligadas de alguma maneira, na mesma escola, na mesma cidade e com uma série se eventos que começaram acontecer após a ela, uma garota que só queria dar o primeiro beijo ter sido alvo de difamação do primeiro garoto que chegou a se interessar. Quantos caras existem por aí que simplesmente aumentam ou espalham mentiras que acontecem em encontros e/ou ficadas? Quantas garotas são difamadas por ações privadas que podem ou não ter acontecido? Quantas vezes nos reunimos nos cantinhos da escola e paramos para ouvir “a fofoca mais quente” da escola? Normalmente é da garota que chamamos de piranha porque ela fez algo supostamente ousado para nossa idade – acredite em mim, estou uns bons anos mais velha para saber e dizer que adolescentes são as pessoas mais terríveis e malvadas em um espaço pequeno de uma escola.

E reviver tudo que muitos de nós passamos no ensino médio serve de alerta e até mesmo de consolo, não estamos sozinhos e é preciso de força, muito trabalho de conscientização e uma série de “chega pra lá, idiota” para passar pelos três ou quatro anos mais complicados da vida e para Clay, que gostava muito de Hannah, entender o que ela sentiu e ter a dor de que não pode fazer nada para ajudá-la, mesmo que ele quisesse, mesmo que tivesse tentado, para ele foi como 13 socos repetidos no seu estômago, lembrando de momentos que poderia ter agido diferente ou simplesmente agido de alguma forma que pudesse alterar o resultado final para ela, para que as consequências das ações externas não a afetassem tanto assim não precisaria sofrer sozinha, acumular todos aqueles sentimentos e simplesmente superado, mesmo que difícil depois de se tornar uma piada, um brinquedo sexual entre as rodinhas de fofoca. E os assuntos abordados durante os 13 e diretos capítulos são simplesmente todos aqueles que adolescentes devem estar sempre em observação e deixamos passar, nos atropelamos e vivemos situações tão terríveis por insegurança, medo, confusão e até mesmo a bomba hormonal que a maioria de nós é nesse período.

A diagramação do livro é bem simples, às vezes meio confusa, mas dá para entender onde é Hannah narrando, onde é Clay, onde ela pergunta e ele responde, vice e versa, mesmo sem realmente ouvir um ao outro, como deveria, como tudo poderia ser evitado. E com sentimento de dor no coração e com o desejo intenso que pessoas parem de menosprezar ou romantizar a depressão, assim como não pensar no impacto que suas ações podem causar em outra pessoa, que reflitam que palavras doem muito, que um coração partido não se resolve rapidamente e que zoações na escola podem carregar um peso para o resto da vida. Estou muito pensativa, arrependida de muitas minhas ações e compreendi muito do que não consegui superar do tempo da escola. Foi como ver tudo em uma nova perspectiva e colocar muitos sentimentos para descansar. Recomendo muito o livro e em breve volto para falar sobre a série. Deixe aqui nos comentários a sua opinião sobre a história e compartilhe um pouco o que acha sobre depressão e suicídio.

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