Empreendedorismo Feminismo

Quem você quer ser para o mundo?

A vida é uma coisa bem engraçada. Na pauta da semana passada, havíamos decidido falar sobre algumas mulheres de sucesso, mas sábado saí com meus pais para beber em um bar de música ao vivo e novamente mergulhamos na questão que vem trazendo uma série de desentendimentos aqui em casa: o fato deles não entenderem e aceitar o que escolhi como profissão e a decisão da minha vida de ter meu negócio e não trabalhar para outra pessoa.

Para meus pais, “eu não gosto de trabalhar” e eu sei que eles não entendem a potência que é a internet e a grande fonte de renda que ela é. Mas foi a primeira vez que tivemos uma conversa franca sobre o que os incomodava. Todo problema poderia ter sido reduzido se essa conversa tivesse acontecido meses atrás e sem gritos. Uma dica: pais conversem, não gritem.

E também tenho uma reflexão para todas as meninas que me acompanham aqui e ficam animadas com as ideias sobre empreender nossa criatividade ou o que somos realmente boas e bem aproveitadas. Meus pais me fizeram pensar, mais uma vez, quem eu quero ser no mundo, que tipo de pessoa serei lembrada e que legado deixarei para meus futuros herdeiros, que o tempo passa – correndo, por sinal e qual atitude irei tomar mediante a isso?

Vim para casa quase chorando, porque por mais que fique eternamente culpando meus pais pelas atitudes do passado, que atrapalharam minha vida acadêmica, hoje ninguém lembra e não importa: o tempo está passando e aí? Quando decidi estudar sobre vida profissional e empreendedorismo foi o momento que comecei a me encontrar e me entender profissionalmente.

Esses dias ouvi uma ministração no Facebook, de uma pastora que desconheço, que me deixou muito incomodada sobre o papel que a sociedade, cristã ou não, ainda espera que seja da mulher. Uma das determinações dela era que a mulher podia ter uma carreira de sucesso, mas quando o marido chegasse cansado em casa, ela deveria fazer o jantar sorrindo. Até aí “tudo bem”, mas em um mundo atual onde a mulher tem a mesma jornada de trabalho para ajudar a manter o padrão financeiro da família, pelo bem do casal e da casa tanto quanto o homem, por que ele não pode fazer o jantar sorrindo para sua esposa? A resposta que ela deu foi que nós mulheres estamos acostumadas acostumada a sermos multifacetadas.

Acho um peso e uma pressão sermos rotuladas sempre como mulher maravilha, de sermos as heroínas que conseguem cuidar da casa e dos filhos, do marido e do emprego com perfeição, arrumada, cheirosa e cheia de vida. Eu não quero ser esse tipo de pessoa e não quero deixar como legado para minhas filhas que elas precisam ser o tempo todo fortes para aguentar coisas que não é nada mais que certo que o marido seja um total parceiro.

Quero deixar meu legado para mulheres que elas podem sonhar, podem ter seus negócios, possam ser mães, possam ser o que bem entender sem sofrer a pressão da sua família e amigos, da sociedade no geral, de serem heroínas o tempo inteiro, mas que elas tem o direito de simplesmente ser nada. O feminismo não é sobre colocar uma arma apontada na cabeça de mulheres e exigir que elas sejam empoderadas. O feminismo é sobre ser feliz. É sobre equidade nas relações sociais e profissionais. É sobre ser livre para ter uma vida emocional saudável. Quero ser para o mundo a paz e a beleza de ser livre.

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