Fotografia Reflexão

Por que o instagram subjugou minha fotografia?

O instagram veio para somar ou destruir seus sonhos?

E é preciso paciência para compreender as exigências que o público acabou forçando os criadores de conteúdos a se adaptar.

Carta da Edição.

Ainda lembro quando o instagram foi anunciado. Tinha o meu primeiro celular android e adorei a experiência. Sempre fui ligada a fotografia e ter uma rede social específica para compartilhar fotos foi incrível. Era melhor e mais viciante que o facebook. E até mais simples. E quando comecei a trabalhar oficialmente como fotógrafa, pensei que seria a minha melhor ferramenta de divulgação.

Mas não é bem assim que o instagram funciona, porque está além da competividade entre outros profissionais. O problema está na exigência pela perfeição e não pela arte. Ser livre para mostrar o seu trabalho não é mais a maneira eficaz de ter um público.

Logo que criei o primeiro instagram do blog, postava as fotografias relacionados as resenhas do jeito que achava bonito, na praia, na cama, onde estivesse lendo. Era a minha realidade, a minha experiência como leitora. Depois eu vi que existia um padrão de acessórios, posições, composição e formatos que aprendi quando estudava fotografia. E também entendi porque nunca era selecionada para boas parcerias.

Virou uma competição pela foto mais bonita, a composição perfeita, o flatlay mais elaborado e o lifestyle que muita gente não vive. Mas era e ainda é preciso ser perfeito para estar no instagram. As imagens tem que ser bem editadas, claras e atraentes. Como fotógrafa, o bonito vende. E o bonito era edições que alteravam totalmente a emoção e a realidade do momento. O bonito era criar uma situação em que o sol de meio dia tinha até borboleta voando, distorcendo a lembrança daquele dia, exatamente como deveria ser uma experiência para o cliente.

Seja trabalhando com fotografia profissional ou para instagram, a arte e o amor ficaram em segundo lugar. Há diferentes formas de mostrar uma boa fotografia e de montar o que é necessário para conquistar o seu público. Assim como cada um é livre para investir na fotografia que achar melhor. A arte é particular. E eu perdi isso quando passei a fazer partes de grupos onde o que achava bom e bonito pra mim, não era o suficiente para outros. Não estou falando de estudar e evoluir, estou falando em ser perfeita.

Em mudar seu estilo para ser quem não é. Em mostrar que existe uma vida inalcançável. Em forçar meus seguidores a aceitarem que não existe infelicidade, tristeza, insegurança, pane criativo e falta de inspiração no instagram. Em me tornar obcecada por likes, comentários, alcance e engamento. Em perder o tempo que tinha para criar e transformar através da minha imagem, da minha ideia, pesquisando inspirações no pinterest, necessitando me adequar a aprovação alheia.

Meu eu fotográfico foi subjugado no estilo de vida e fotografia perfeitos do instagram. Passei a me tornar insatisfeita com minha própria vida, por não ter e não conseguir ser aquilo e aí, acordei e percebi que como criadora de conteúdo, estava sendo cruel e hipócrita comigo mesma. E sendo ainda pior com leitoras que consegui com tanto carinho ao longo dos anos. Estava escondendo delas e de mim o quão difícil era me manter na corrida. E entendi que não há pra quê correr.

Muitos anos atrás conheci uma atriz e ela me disse, com toda sabedoria de uma mulher que vive pela arte: há palcos e mundos para todo mundo. Não deixe que uma rede social mude quem você é. O mercado de trabalho para criadores de conteúdo é concorrido e exige algumas mudanças, adaptações, mas faça do seu jeito, mostre a sua beleza, mesmo que aos olhos dos outros não seja o suficiente. Vai ser para alguém. Comece sendo o suficiente para você. Não deixe que seu trabalho seja falso ou se machuque para estar no topo – ele não existe.

A linha de chegada e o prêmio são sempre seus, determinados pelo seu esforço, troca justa de trabalho e transparência. E que essa semana seja incrivelmente cheia de conteúdos incríveis que estão escondidos na sua cabeça enquanto você luta para ser notado sem ser quem você é. Liberte-se.

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