Empreendedorismo Música

O que precisamos aprender com a Anitta?

Disseram que ela não passaria de Show das Poderosas, que em cinco anos ninguém se lembraria da cantora que saiu da “Furacão 2000” e queria ganhar o mundo. Isso foi há alguns anos atrás, agora ela está alcançando a carreira internacional e muita gente tem o que falar sobre sua bunda e suas cirurgias plásticas, mas poucos têm coragem de admitir que a jovem garota saída do subúrbio do Rio de Janeiro está ensinando muita gente e inspirando muitas mulheres a dominarem e administrarem suas carreiras, focando nos seus objetivos e alcançando o tão sonhado o sucesso. Desde que comecei a estudar sobre empreendedorismo e mergulhei de cabeça na vida de coaching sobre profissionalismo passei a admirar ainda mais Larissa de Macedo Machado, de apenas vinte e quatro anos, realizando e inovando a música pop – não adianta negar, antes dela surgir, o que era a música pop no Brasil? E mesmo com a força que é o sertanejo universitário, ela consegue o topo das paradas e mais parcerias internacionais de peso que até mesmo Ivete Sangalo produziu. Não é um texto sobre endeusar a Anitta, mas sim sobre perceber o quanto nós somos as maiores julgadoras de sua carreira e o quanto podemos ganhar o mundo se sonharmos.

Quando eu era mais nova, disseram-me que eu não podia ter uma carreira. Eu tinha que fazer parte do grupo de jovens, arrumar um marido e apoiar sua carreira e se Deus quisesse, seria um homem de Deus (ui). Nada contra a uma mulher que decide apoiar a carreira do marido e ficar em casa cuidando dos filhos, é uma questão de escolha, mas nós, normalmente, somos criadas e instruídas a achar que o homem é aquele que merece o deslanche na carreira e que nós somos aquelas que devemos estar nas sombras. Afinal, quem nunca ouviu que por trás de um grande homem sempre tem uma mulher? Respeito com todo meu coração quem decide ter esse tipo de vida e relacionamento, mas nós não temos que criar meninas para ter um bom casamento – que seja consequência de uma vida saudável e feliz. Temos que criar meninas para serem donas de suas vidas, que saibam gerenciar suas carreiras e que encontrem um parceiro (ou parceira) que divida as responsabilidades da casa e dos filhos de forma igual. Ninguém será menos mãe por ter um PAI que não lhe ajuda, mas que assume de forma igualitária todas as questões da vida dos filhos.

E o que a Anitta tem a ver com tudo isso? Ela não ficou famosa por se relacionar com um homem. Ela era uma garota que cantava naqueles palcos cheios de caixas de som e fazia o quadradinho que na época ninguém sabia fazer direito. Ela disse que tinha planos grandes para o futuro e o que fizeram? Riram. Ela saiu da agência que dominava sua carreira e passou a ser a CEO da sua vida, colocando sua família e outros profissionais qualificados para lhe ajudar na empreitada que era fazer o mundo pequeno para uma única mulher. Com toda certeza, esse sucesso tem um preço, mas ninguém pode desmerecer o fato que ela se entregou na sua carreira sem medo, pesquisou, estudou e cada passo foi cuidadosamente analisado por ela e sua equipe. Não é possível que vocês não sintam nenhum pouquinho de orgulho de uma garota que poderia ser apenas mais uma na multidão e hoje arrasta multidões onde passa. E será que se passarmos menos tempo menosprezando-a por mostrar a bunda, não poderíamos nos inspirar mais em tomar as rédeas de nossas vidas? Quantas de nós chegamos ao fim do dia frustradas por não chegarmos onde desejamos e deixamos o dia-a-dia nos levar até que finalmente nos damos conta que não chegamos a lugar nenhum.

Essa semana ela conseguiu colocar três músicas em idiomas diferentes no top dez das maiores paradas do mundo e ganhou uma atenção da mídia internacional, um reconhecimento que só se consegue com trabalho. Constantemente vejo mulheres desmerecendo-a, alguns dizem que ela só está “empoderada”, porém, apesar de reconhecer que ela luta muito pela sua carreira, ela não mantém discursos de empoderamento e isso é uma das coisas que mais admiro, porque muita gente atribui suas mudanças a sua discussão com a Pitty anos atrás. Ninguém nasce desconstruído. Eu não nasci, ela também e muito menos a Pitty. Tenho meus receios e preocupações sobre a maneira que ela é capaz de influenciar jovens meninas em relação à aceitação corporal, mas, nós não podemos atribuir a ela a responsabilidade de educar meninas, quando ela é apenas mais um fruto da pressão que é ter o corpo perfeito. Infelizmente, não podemos ser utópicos, alcançar a mídia internacional tem seu preço, incluindo, um corpo perfeito (e “oprimir” sua necessidade pela comida). E isso nos serve de lição que todos os sonhos profissionais possuem ônus e bônus, haverá momentos que será necessário se enquadrar a necessidade do mercado, a grande demanda e contanto que isso não mude quem você é e seus objetivos, não dá para pregar uma vida profissional perfeita, porque ela não existe.

A Anitta tem me inspirado no domínio da carreira e sobre como ser indesistível para alcançar sonhos. Talvez seja hora de deixar seu preconceito de lado, porque ninguém é obrigado a ser fã e curtir as suas músicas, mas também não é necessário menosprezar uma pessoa porque ela canta um gênero musical que não te agrada. Como disse no texto sobre sororidade, apoiar mulheres não é sobre “gostar” delas, porque o mundo é sobre diferenças e aceitação. Todas nós merecemos respeito e cuidado com o que fazemos e realizamos e devemos dar para receber. E reconhecer que podemos nos inspirar em uma menina de 24 anos e colocar o rosto no sol para superar obstáculos, arriscar com nossos planos e construir uma linda carreira de sucesso. Apoie mulheres a serem grandes, aceite que outras mulheres podem e devem ser gerenciadoras de suas carreiras e busquem o sucesso que todas nós merecemos. E se alguém não gostar, sempre pode cantar “vou rebolar só porque você não gosta e se não quiser me olhar, vira de costas!”

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