Feminismo

Não tenha medo do feminismo

“Nós ensinamos as meninas a se diminuírem, a se sentirem menores. Nós dizemos para as meninas: ‘Você pode ser ambiciosa, mas não muito. Você deve querer ser bem sucedida, mas não tão bem sucedida assim, senão pode ameaçar o homem.’ Porque eu sou mulher, as pessoas esperam que eu deseje o casamento. Esperam que eu faça as minhas escolhas sempre mantendo em mente que o casamento é a coisa mais importante.
Veja bem, o casamento pode ser uma fonte de alegria, amor e apoio mútuo, mas por que ensinamos as meninas a desejar o casamento, mas não fazemos o mesmo com os meninos? Nós criamos as meninas para que encarem outras meninas como competidoras. Não por empregos ou por realizações profssionais, o que pode ser uma coisa boa, mas pela atenção dos homens. Nós ensinamos às meninas que elas não devem ser indivíduos dotados de desejo sexual, assim como são os meninos. Feminista: uma pessoa que acredita na igualdade política, econômica e social entre os sexos.” – Chimamanda Ngozi Adichi.

Você conhece esse trecho? Talvez. É provável que o reconheça na música Flawless da Beyoncé, e não será hoje que irei discutir aqui se acho a Beyoncé um marketing ou verdadeiramente uma mulher feminista – não humanista como ela alegou ser em uma das suas entrevistas. Hoje, no entanto, quero desabafar sobre o medo que muitas mulheres (e homens) passaram a ter feminismo. Ninguém realmente tem ideia do quanto uma mulher assumida como feminista sofre o olhar torto, porque somos vistas como loucas, histéricas, assumidamente um macho (muitas mulheres são mais “macho que muito homem” sim) e fora de razão, porém, eu não serei a hipócrita em dizer que tem muita mulher sem diálogo – mas se não fosse por elas, pelos seus gritos e desespero, não teria atenção aos números alarmantes de feminicídios e a quantidade de mulher oprimida, sejam em seus relacionamentos, no trabalho, por si mesma e pela sociedade. O feminismo, além de ser sobre a igualdade, também é sobre equidade.

equidade
qü,qu/
substantivo feminino
1.apreciação, julgamento justo.
2.virtude de quem ou do que (atitude, comportamento, fato etc.) manifesta senso de justiça, imparcialidade, respeito à igualdade de direitos.

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É importante entender que, assim como homens sofrem violências, são perseguidos por ex-namoradas inconformadas, mulheres também são e merecem o mesmo tratamento na justiça. Se a Eliza Samúdio tivesse matado o goleiro Bruno, ela teria saído da cadeia com menos de 1/3 da pena e ainda receberia proposta de emprego em nova lugares diferente? Um – ela realmente não deveria sair sem cumprir a pena, muito menos ele! Também é possível ver que homens ganham mais para a mesma profissão, mesma função, mesmo tempo de trabalho – e ambos estudaram as mesmas matérias na universidade. Então, por que a mulher ganha menos? Nós desejamos ter autonomia em nosso corpo, não ter medo de um cara que pode levar uma cantada um pouco além e muito menos aceitar que a minha roupa, supostamente, dá o direito a um homem me assediar, principalmente se deixarmos claro que não estamos disponíveis. Não aceitar um idiota esfregando o corpo no ônibus e você sentir medo, porque “homem é mais forte” (não, eles não são). Não se trata de força física e sim de atitudes.

Não desejamos o alistamento, muito menos que ele seja obrigatório (ele deveria ser voluntário, tanto para homem, quanto para mulher, talvez assim a mina que desejar ter uma carreira militar não sofra tanto em um quartel), podemos carregar cimento sim, eu posso, sou grande, alta, tenho força física, mas outra mulher pode não aguentar, não é o meu sexo, é a minha estrutura, assim como há homens que não aguentam, mas devem fazer porque não querem sentir-se  diminuídos. O feminismo não é sobre peitos de fora e abolir a depilação, é sobre pegar todas as regrinhas e enfiar num saco, jogar no lixo e fazer aquilo que convém ao seu próprio corpo. Durante anos, sofri com foliculite na perna por me depilar de forma errada, mas não existia na minha cabeça não estar depilada, afinal, mulher de verdade não pode ter pelos. Quem disse? Eu não tenho que me agredir para agradar pessoas que não podem ver uma perna com pelos aparados ou cabeludos. É tão chocante que a Claudia Ohana vendeu como água, afinal, que mulher exótica! Ela só é uma mulher que: depila sua piriquita se quiser.

Não desejamos ser um objeto decorativo, não queremos ser subjugadas, não pensamos que homens são vilões, afinal, tem muito bacaca por aí e não estou falando de um único sexo. Não odiamos homens, detestamos pessoas que acreditam que a mulher tem um lugar fixo, não tem escolha. Se você desejar ser bela, recatada e do lar, parabéns, mas se você quiser ser presidente do país, parabéns também. Não queremos ter limitações porque temos uma vagina! Desejamos não ser taxadas de mil nomes porque, olha só, também temos o prazer sexual e escolher o parceiro que quisermos. Não é sobre dar pra todo mundo (é meio difícil fazer sexo com seis milhões de pessoas), mas sim pela escolha de me relacionar com quem quiser. Você também não precisa discutir muito, não se ganha respeito no grito – não na maior parte das vezes, mas grite se precisar, afinal, é seu direito ter voz, ter controle da sua vida, das suas ações e se você quiser entender mais sobre o que é ser feminista e entender mais sobre o que realmente o feminismo luta, há muitos livros, histórias de mulheres incríveis e graças a internet maravilhosa: muitos blogs também. Não tenha medo do feminismo, se você não concorda, exerça seu direito de cidadão e respeite.

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