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{ESPECIAL} A não submissão nos romances de época

Esse especial está sendo realmente especial pra mim e estou muito feliz que tem algumas lindas e adoradas pessoas acompanhando. E muito obrigada! No final do post vou deixar a lista de todas as postagens liberadas até agora, então, se perdeu alguma coisa, corre para se atualizar, ok? E um dos principais motivos que me fez pensar nesse especial que além da minha paixão já explicada pelo século XIX, também reparei que os romances modernos estavam trazendo personagens dominadores em massa e romantizando abuso e o romances passados em outra época tinham uma gama de mocinhas mais empoderadas que MUITAS atualmente. COMO ASSIM? Todo mundo deve ter uma noção de como era o casamento e o significado dele naquela época e que a mulher tinha boca e não era permitida falar. Como, de alguma forma, começamos a incentivar que as mulheres “modernas” abrissem mão do seu direito de voz?

Ano passado fiz um vídeo sobre a falta de mocinhas determinadas/empoderadas e que não se deixam subjugar por qualquer coisa. Minha preocupação começou a crescer quando participando de grupos de indicação de livros e fanfics, as meninas começaram a desejar leituras como Cinquenta Tons de Cinza com um requinte de crueldade. Meninas muito jovens que em fóruns desejavam abertamente que homens que fossem apenas dominantes, que “subjugassem” as mocinhas e ao mesmo tempo “cuidassem” delas. E de certo, também dominassem suas vidas. E de fato isso é um detalhe preocupante, porque todos os dias vejo lançamento de livros que romantizam os mocinhos que são perseguidores e que não aceitam não como resposta, ou mocinhos que acabam oprimindo o desejo e a liberdade das mocinhas. Existe um certo ar de que é erótico ser submisso, porém, o que ninguém entende é que ser submisso entre quatro paredes não quer dizer que você tem que ser ou é submissa na vida, no dia-a-dia.

A cada romance de época que leio, encontro mulheres determinadas a não serem subjugadas pelo seu gênero, pela sua força e muito menos pelo seu marido. Mocinhas que buscam a independência emocional e financeira, muitas que lutam contra a “tradição” dura da família e não suportavam a forma que eram tratadas como bonecas em uma vitrine nas temporadas de debutantes. E podemos até usar a desculpa que a maioria das autoras são mulheres contemporâneas retratando romances naquele século, mas então, tudo que aprendemos com Jane Austen sobre escrever “romances nos quais buscava retratar a sociedade da época e a busca da mulher pelo melhor casamento, como única forma de ascender socialmente” e suas constantes críticas através de diálogos carregados de ironia? Dificilmente encontramos personagens que queriam ser tratadas com o devido respeito e com a devido reconhecimento de sua inteligência. Claro que sabemos que não era de bom tom uma debutante mostrar-se mais inteligente que seu pretendente, porém, isso nunca foi impedimento para autoras criarem mulheres incríveis com uma determinação de lutar pelos seus desejos da mesma forma que hoje em dia, meninas e mulheres, devem ser incentivadas através das histórias que leem.

Espero que a cada dia que passe, a conscientização sobre essa popular romantização de relacionamentos problemáticos, abusivos e violentos seja diminuída – e não estou falando da prática livre de BDSM, mas sim de personagens que de alguma forma praticam uma violência com seus pares românticos e que seja passado para o leitor de forma positiva. Temos que tomar cuidado, porque apesar de cada um ser livre para tomar suas próprias decisões e escolher o tipo de relacionamento gostaria de ter, sabemos que é necessário a informação ser passada de forma realista e honesta. Vamos buscar mais por mocinhas como as adoradas dos romances de época, ter tanta força e coragem para enfrentar suas adversidades e conquistar lindos mocinhos que são capazes de compreender como elas são e as amam ainda mais por isso.

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