Empreendedorismo

Empreender Não é Um Mar de Rosas

Recentemente parei para analisar para onde realmente quero ir e o que estou fazendo com meu tempo, no que estou investindo e qual a fundamental razão que meu negócio merece um lugar de destaque. Na minha vida, nada são flores. A realidade é bem cruel. E não estou fazendo a dança do tapinha no ombro não. Para falar a verdade, a última coisa que realmente preciso é que esse texto seja interpretado como um choro. Meu real desejo é falar para outras mulheres, que assim como eu, possuem o desejo de ter seus negócios reconhecidos e a sensação que no fim do dia, seu esforço valeu a pena. E fazia um tempo que meu sono estava comprometido, minhas dores de cabeça era minha única companhia no fim do dia e eu estava completamente estafada de dar murro na ponta de faca. Até que ponto o “está difícil para todo mundo ou o estamos em crise” deve afetar nossa auto estima diante da negatividade do negócio?

Algumas semanas atrás surgiu a oportunidade de ir para o Rio porque a demanda de procura para fotografia lá e por consequência possíveis pautas para o blog, porque nós estamos caminhando cada vez mais tornar esse espaço uma revista feminina ~ empoderada e útil. Animada, marquei alguns ensaios e abri vagas para outros. Saí anunciando, recebi uma série de propostas (algumas nem vale mencionar), outros pedidos de orçamento, fiz minhas malas muito esperançosa e animada. Disse para minha mãe que se fechasse as dez vagas, seria maravilhoso para retomar meu trabalho que vem capengando há meses, muitos projetos e estudos, nenhuma ação real. Foi emocionante até nada deu certo. Os clientes? Cada um uma desculpa diferente. Foi um retrocesso, igual ao ano passado, quando alguns clientes não fechavam comigo porque não aceitava crédito, então, tenho seis meses pagando uma máquina que nunca foi usada. Há uma infinidade de investimentos que fazemos para equilibrar as necessidades dos clientes e na maior parte do tempo, não recebemos de volta um bom feedback.

Não tenho palavras para expressar o pânico, o medo e a ansiedade que me consumiram naqueles. Senti meu coração tão partido e uma frustração que não estava cabendo dentro da minha casa. Foi o momento que parei e pensei: será que é hora de desistir? Não é fácil ser vista como aquela que é fracassada, coitada ou pior ainda, que não gosta de trabalhar. Construir seu negócio sendo sapateada na expectativa e cobrança alheia não é de nenhuma ajuda. E então, resolvi que precisava parar, tirar um tempo, tirar folga da minha expectativa, guardar a ansiedade na gaveta e soltar minha mão da frustração. Me dei o direito de não pensar vinte e quatro horas por dia, em planejar o tempo todo e me tornar obcecada em fazer meu negócio criativo dar certo. Ou melhor, decolar. Tirei um tempo para ver que tudo realmente estava dando errado, a produção do livro parou porque o computador parou de funcionar, o blog saiu do ar porque não tive pagamento (as pessoas querem o serviço fotográfico, mas não pagar por ele e esse é um assunto para outra postagem: pessoas apreciam a arte e não pagam por ela).

Nesse meio tempo, lendo Originais – Como Os Inconformistas Mudam o Mundo, publicado pela Editora Sextante (confira a resenha desse livro maravilhoso e perfeito para quem quer entender seu lugar no mundo, seu negócio criativo e uma análise completa de como empreender – basta clicar nessa frase), eu aprendi que preciso ter ainda mais resiliência, que ainda vou beijar muitos sapos para encontrar meu Príncipe Encantado. Também entendi que preciso parar de olhar a grama do vizinho, aprimorar minha capacidade de selecionar ideias, parar de analisar se meu negócio terá sucesso, mas sim como chegarei ao sucesso. Quero que todas vocês compreendam que será difícil, o caminho será bem espinhoso. Richard Cantillon, o cara que basicamente “inventou a palavra empreender = entrepreneur” disse que “empreendedor é aquele que assume riscos”.  Não dá para empreender no conforto do sofá, sem passar por desafios, sem sofrer e principalmente, sem arriscar. Esse tempo fora foi vital para renovar minhas energias, minhas esperanças e meu propósito. Também tive um fôlego novo, novas ideias e pude enxergar minhas falhas principais nos meus projetos. Não está dando certo? Para, respira, reavalie e comece novamente!

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