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Duas séries não feministas, mas sobre sororidade (ou a falta dela).

Essa semana, enquanto acertava o site e a programação dele, fiquei atenta e viciada em duas séries. Uma já tem uma temporada completa e outra está com vários episódios disponíveis. As duas mexeram comigo profundamente e me peguei pensando muito nos temas abordados, ignorando a pressão das redes sociais sobre cada uma. Decidi fazer um único post reflexivo sobre ambas, tanto que o título não se refere ao feminismo, mas ao fato que são protagonistas femininas, que sofrem com o mundo cruel das mulheres em suas inúmeras formas. Uma delas, é possível encontrar o apoio e outra não. Precisamos discutir a posição da amizade femininas retratadas na telona e o quanto é de extrema importância alertar que o mundo feminino precisa de sororidade, quem sabe assim, o mundo em si se torne mais empático. Não é sobre declarar guerra e cortar laços com homens, mas sim em não colocar nem homem e nem uma mulher em grau de mais importância e credibilidade que o outro. É possível encontrar a exemplificação disso nas duas séries, de forma distinta.

Big Little Lies entrou na minha vida a alguns anos atrás, na época do lançamento do livro, quando ainda era parceira da Editora Intrínseca. Apesar de ter lido o livro e gostado, na época, não tinha formação “correta” dos meus pensamentos e até não tinha informação o suficiente para entender o que é sororidade e amizade feminina, já tinha noção da pressão que é o mundo das mulheres, as famosas guerras de inveja, por homem, por roupa, por quem é mais bonita, quem tem o melhor corpo e a gente acha que isso vai acabar no ensino médio, mas só descobrimos que as cobranças são ainda piores quando nos tornamos mulheres na sociedade. A mini-série deixa claro a relação feminina, que mesmo com todas as merdas, filhos, casamentos ruins e até outras mulheres fazendo o famoso jogo de empurra de umas contra outras, é possível ver a amizade acima dos defeitos e dos erros. É importante que uma série tão forte quanto essa, mostre que há abuso em um casamento, há ressentimento e competição entre mulheres e desde novas, somos incitadas a isso. A ser melhores que as outras. A conquistar o melhor casamento e ter nossas mães tripudiando sobre isso.

Somos ensinadas a termos o nosso grupinho, a conquistar um squad cujo uma delas tem que ser a líder, declarar guerra a ex dos nossos relacionamentos e até mesmo ter implicância com sogras. E posso até usar o filme “Perfeita é a Mãe” como um exemplo paralelo a Big Little Lies. Uma mãe é constantemente hostilizada pelo “grupo” de mães “perfeitas”, seu casamento é ruim, sua relação com os filhos fica estremecida porque ela não consegue ser perfeita em tudo que é cobrada, como mãe, como esposa e como profissional. Temos que ser as melhores donas de casa, as melhores em tudo, não podemos falhar, não podemos ser fora do padrão que a sociedade exige que sejamos, ou as críticas sem pensar no quanto isso nos afeta emocionalmente e psicologicamente e aí chegamos a série mais falada do momento: Os 13 Porquês. E nessa análise entre as duas, me pergunto: será que a Hannah seria menos afetada se a Jéssica realmente fosse sua amiga e tivesse acreditado nela quando disse que não tinha nada com o Alex? E a se a Courtney tivesse aberto a boca sobre a foto ou minimamente tivesse buscado apoio mútuo naquela fofocada, a Hannah não agiria diferente? Será que se elas se apoiassem no meio daquele momento confuso, a Hannah teria se matado?

Não estou querendo atribuir a responsabilidade da morte da Hannah as duas, mas de fato, se elas tivessem mostrado um pouco mais de sororidade, será que a Hannah se sentiria tão sozinha? Se elas tivessem se apoiado, ao invés de rido ou brigado, afastado e até mesmo declarado uma guerra sem fundamento por causa de fofoca e até mesmo garotos, o resultado ainda seria o mesmo? Porque a maior parte das vezes, arrumamos problemas que não devem ser problemas, causamos confusões com as ex dos nossos namorados sem realmente ter necessidade (não tô dizendo que toda ex é santa, o que me faz perguntar: por que implicar com a atual do seu ex se a história de vocês terminou?). Essas duas séries mostrou o quanto a comunidade feminina está profundamente afetada por uma série de cobranças, questionamentos e imposições e no final, ninguém realmente se importa se estamos bem, felizes, estruturadas e quem sabe, realizadas com nossas vidas. E se você, de alguma forma, sente-se pressionada e até injustiçada nas relações da sua vida, busque ter mais empatia e seja companheira da mina que tá do seu lado.

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