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{Cinema} Antes Que Eu Vá

Ainda lembro de quando li Antes Que Eu Vá no lançamento pela Intrínseca alguns anos atrás. Samantha Kingston nunca foi a minha personagem favorita, porém, se tornou memorável o suficiente para que me desse uma grande animação de ir ao cinema e assistir logo no final de semana da estréia. Os motivos eram os mesmos de quase todo mundo: o agrado pela atriz principal, Zoey Deutch, uma adaptação jovem e a necessidade de ver como seria mais alguma adaptação dos livros jovens para o mundo do cinema. O drama da Lauren Olliver em suas palavras que se tornou um best seller ainda é a minha forma favorita de passar por essa história, porém, o filme dirigido por Ry Russo-Young (atriz e diretora de 35 anos) também merece a sua atenção.

Bonita, popular e um pouco má, Samantha e seu grupo de amigas causam o caos da sua melhor forma esperada no ensino médio, planejam a vida acima de suas ambições e buscam viver experiências como todas as garotas de dezessete anos, mas, no dia doze de fevereiro passa a se repetir infinitamente, por mais que ela tente “não morrer” no fim do dia, está sempre recomeçando-o e ela passa pelas fases do surto, da confusão, do medo, da aceitação para finalmente o entendimento, tudo isso acompanhado de um roteiro bem explicado e na sua maior parte exagerado, principalmente na questão do bullying, tratando-se da personagem chave, Juliet, uma menina cuja sua aparência foi transformada devido a uma mentira do passado, levando-a a ter um alvo nas costas para as zombarias e uma vida nos cantos solitários da escola. O relacionamento de Sam com a sua família também deve ser destacado, porque isso moldava a pessoa egoísta que ela precisou reconhecer que era e dar valor ao amor que tinha.

 Eis outra coisa a que se lembrar: a esperança o mantém vivo. Mesmo quando você está morto, é a única coisa que o mantém vivo.

A fotografia do filme estava maravilhosa, por mais que o ator faça seu trabalho na interpretação, a imagem e todo conjunto deve retratar essa emoção e foi muito bom ver as mudanças de foco, de película, mas sempre com os mesmos efeitos visuais bem sutis que traziam delicadeza a toda história. Zoey levou emoção a Samantha ao descobrir a vida que realmente tinha e a quem queria ser lembrada já que era inevitável a sua morte. Foi importante a sua trajetória até descobrir o motivo da sua morte e o amor que reconheceu e floresceu no caminho. A trilha sonora é de juntar os lencinhos e se encolher na poltrona. Não vou mentir: o filme é clichê. Garota branca, popular, bonita, sexo com o garoto mais cobiçado, o bullying cruel com a mais zoada, as festas, o outro garoto bonitinho não popular que gosta dela e não é retribuído. E para quem não leu o livro e não faz parte do mundinho literário pode ser que não se encante com o looping “exagerado” e a repetição dos dias – pra mim foi importante e nem de longe é tão cansativo como o livro.

 Esse é o problema com sacrifícios. São dolorosos. Literalmente.

O final é emocionante. O filme causa e está muito mais fiel a história que realmente esperava. É possível do cinema satisfeito e pensativo. Dormi pensando em quem quero ser lembrada e o que as pessoas diriam de mim se morresse amanhã, como as minha ações realmente afetam o próximo e que devo pensar mais no que faço com as pessoas que amo e nem sempre os trato da maneira que merecem. Foi bom pra mim e espero que quem for assistir também saiba extrair a reflexão certa. Fui com a minha amiga que veio de São Paulo passar uns dias comigo e ainda não conseguimos parar de falar sobre a história. Desejo que gostem também!

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