Escrita

Cinco vícios em histórias que me irritam

Quando comecei a escrever há exatamente sete anos atrás, cometi muitas gafes e muitos erros, não só de escrita, como de cronologia, de idade e uma série de fatores que hoje em dia me irritam profundamente. E para comemorar esse marco tão importante na minha vida, reuni cinco fatores que (eu já cometi alguns) me irritam profundamente quando abro um link de uma história aleatória e tenho vontade de “explodir” meus miolos ou enviar um e-mail gentil a autora, relatando a minha experiência e aprendizado. Quero deixar claro que não sou e estou bem longe de ser a melhor autora do mundo, escrevo mesmo porque é um exercício, aprendo muito com as pesquisas e tenho betas maravilhosas que sempre corrigem meus errinhos e treino para não repeti-los.

A minha primeira fanfic foi um ponto de vista da Rosalie, personagem de Crepúsculo. Eu lia os capítulos e escrevia o que ela poderia estar fazendo ou dava a sua opinião em determinada ação que acontecia. Seu nome era Para Sempre. Sempre achei que a personagem ficou estereotipada e foi pouco explorada, mas sabemos que a Tia Steph não soube finalizar as histórias que começou de cada personagem e eu não sei se ela tinha a esperança ou intenção de ter um livro para cada um, o que não seria uma má ideia… Melhor que deixar em aberto. Enfim, nunca terminei essa fanfic porque rapidamente percebi que os leitores do fandom não estavam muito interessados e eu não tinha maturidade, então, escrevi a minha primeira fanfic Beward e de Universo Alternativo. E minha amiga, se eu pudesse voltar no tempo, me dava umas tapas.

Em A História de Nós Dois cometi dois dos cinco erros que hoje mais abomino. Os erros de escrita são gritantes. Na época, eu não tinha maturidade para aceitar que escrevia mal. Recebia em torno de dez reviews por capítulo e me achava a JK Rowling do Nyah! E na época, não sabia que existia a “treta” das betas, uma pessoa amiga para corrigir os errinhos e dar a dica “amiga, não vá para esse caminho”. Terminei essa história e alguns anos depois a apaguei do meu perfil, porque conforme fui escrevendo e conhecendo, entendi que eu fiz uma “merdinha” colossal em não pesquisar sobre como funciona o ritmo de estudo fora do país, a idade “correta” de certas formações e como funciona o sistema legislativo, inventando coisas que não condiziam com o começo da história. O segundo erro é não pesquisar o cenário que montei minha história. Há um limite para a licença poética em criar seu universo alternativo. Um médico formado aos vinte e um? Só se ele começou a estudar medicina aos dez. E hoje em dia há autoras na quadragésima história querendo manter um casal Beward muito jovens e muito formados.

Esses dias eu li uma história que me deixou muito incomodada, tanto que não terminei e nem fiz muita questão de suportar até o final do capítulo. Os erros de português eram gritantes demais e não só desatenção ou falta de conhecimento. Era o básico mesmo. As gírias eram todas brasileiras, o que ficou bem compreensível quando vi que mocinha era estudante da USP e viajava para o interior de São Paulo. Seria tudo Ok se eles não fossem brasileiros e vivessem no país, porque o nome dos personagens simplesmente não se encaixam e muito menos a descrição, o cenário montado, ou seja, a autora tentou colocar uma realidade americana em São Paulo, com gírias brasileiras e um roteiro totalmente americanizado. A mistura saiu pior que a emenda. Então, esse é o terceiro vício que me irrita e é bem provável que tenha cometido o mesmo: “abrasileirar o estrangeiro”.

O quarto vício não é o fato de que na maioria das histórias os mocinhos são bem ricos, mas me incomoda que seja sempre a mocinha a pobre coitada, que não se veste bem, não tem vaidade, muito magra, muito branca, muito pálida e sem senso que aquele cara rico, lindo e maravilhoso se apaixonem por ela. Isso realmente não acontece na vida real. Também não vai acontecer na história. Tento incentivar as minhas leitoras e a mim mesma com personagens que estão confortáveis consigo mesma, mas que se incomodam com uma celulite ali, um peito grande lá. Nem todas as minhas personagens possuem vidas financeiras e biotipos iguais. Elas são defeituosas e com grandes qualidades. E nem todos os meus mocinhos são poderosos. Eu tenho de bananaward à um ceoward. Esse vício de estereotipar a personagem feminina com baixa autoestima me incomoda e não prossigo com a leitura.

Quinto e último vício é bem polêmico. Não sou contra a literatura HOT e até gosto muito dela, mas pra mim existe um limite entre descrever um filme bad word ô nos mínimos detalhes em TODOS (ou quase) capítulos da história. Me incomoda muito ler todo capítulo detalhes e palavras pesadas. Acho muito cansativo e tento me controlar em não explorar no casal apenas o lado sexual da questão. Esse vício de colocar os personagens numa vida sexual de alienígena é muito chata. E irritante. Pênis também doem depois de uma quantidade de sexo. Colocar o casal para transar dez vezes na mesma noite e “perder” vinte páginas de descrição de como o “pinto dele socou bem fundo” cansa. Erotismo e deixar subtendido é muito bem vindo.

Atualmente eu tenho um monte de histórias em andamento, tenho certeza que encontrará muitos erros , mas estou aprendendo e não escondo que tenho um longo caminho a percorrer. Acho que parar um pouquinho para analisar e prestar atenção no que desejamos com aquela história é vital para aprendermos mais como autoras/leitores. Comentem aqui o tipo de vício que te incomoda e vamos compartilhar!

You Might Also Like

Comentários

  1. NAIRLA disse:

    Uma cronologiam mal feita e um apelo muito grande para o erotismo.