Editora Arqueiro Resenha

A Casa do Lago, Kate Morton

A casa do lago e duas mulheres, duas épocas diferentes e a mesma história.

Kate Morton conta a história da família Edevane, que vivem em uma grande e linda casa, próxima a um lado no pequeno vilarejo no interior da Inglaterra. Eles se preparam para uma grande festa, que atrai vizinhos, fogos de artifícios e entre outras atrações. Alice, uma das filhas do casal, talentosa por si só, está especificamente feliz naquele ano. Ela está apaixonada e escreveu o final do seu livro.

Tudo ao seu redor é belo, brilhante e apaixonante. Descreve sua casa como um dos lugares mais belos do mundo. Infelizmente toda felicidade da família aquele se esvai com uma grande tragédia. E com isso, os Edevane abandonam a casa, deixando as ervas daninhas e os pássaros conviverem com o mistério que os assombram. Alice não é a personagem mais fácil de acompanhar, desvendar. Não só porque seus mistérios são naturalmente dolorosos, mas porque a mulher é tão fácil quanto extrair um dente.

O livro nos leva em um passeio entre 1933 e 2003, pulando de um costume para o outro. E também nos apresentando a Sadie, a “alice” dos tempos modernos. A detetive da polícia que foi afastada do seu trabalho devido a um caso. Ela decide passar um tempo na casa do avô e em uma das suas corridas, encontra a casa da família Evedane abandonada. E também decide que seria uma boa ideia passar suas semanas de folga investigando o passado da família. É nesse momento que o passado e o presente se encontram. Alice e Sadie não são as personagens mais divertidas do mundo, não desconsiderando que é um livro de suspense.

A autora criou uma das tramas mais minuciosas e bem detalhadas, raramente podemos encontrar algo tão fechado. O problema é que talvez seja fechado demais e extremamente cansativo passar por páginas e páginas de investigação detalhada. Existe um lado em que isso é extremamente maravilhoso, para os fãs de investigação policial e a curiosidade de saber que diabos aconteceu com aquela família. Mas para leitores práticos que gostam de ler e ter avanços conforme as páginas passam não é o livro mais indicado.

Entre muitas reviravoltas, que nunca conseguem atingir o clímax necessário para empolgar com a leitura, as personagens quando se unem na mesma linha do tempo causam a sensação de que “está demais”. Era melhor mantê-las cada uma no seu lado da história, principalmente com a exceção de detalhes que ao invés de ajudar, atrapalhava o desfecho. E o fim, quando finalmente sabemos o que aconteceu com o bebê que desapareceu no primeiro capítulo, foi como “ok, acabou”.

Sempre defendemos e buscamos o melhor das leituras. Acreditamos que a Kate foi maravilhosa em criar um universo incrível com tantos mistérios. Mas nem sempre é o melhor caminho para fazer uma trama que mantenha o leitor preso até o final. Foi uma das leituras mais extensas do ano, que ocasionou um atraso considerável da resenha do lançamento até a publicação.

You Might Also Like