Beleza

A arte de se descobrir – e se aceitar!

Dando sequência ao que ‘conversamos’ semana passada sobre não sermos obrigadas a usar maquiagem, ontem estava aqui no espaço do caos fazendo pesquisas sobre os próximos artigos – inclusive o que terminaria para hoje quando me dei conta que ontem fez um ano que olhei no espelho e decidi ser diferente, decidi que era a hora de descobrir quem realmente era a Mariana. Aquela que vivia fugindo, se escondendo, que ainda estava presa ao fato que foi abandonada pelo namorado, que tinha um relacionamento complicado com o passado e estava sempre no papel de vítima das adversidades familiares. Lembro com muita nitidez o tempo que fiquei me olhando no espelho e falei “puxa vida, sou estrábica”. E depois “meu rosto é diferente! ele não é igual, mas tipo, ele é muito diferente quando sorrio! parece que sofri um derrame!” foi assim mesmo e peguei várias fotos para comprovar o fato que meu olho direito é para mais dentro e que meu sorriso do lado esquerdo é mais torto. Não é um texto sobre autopiedade e tapinhas no ombro, relaxa aí, quero que você perceba comigo a importância de deixar a autoestima do tamanho da sua altura – o suficiente para si mesmo -, deixar de lado sentimentos que te fazem pensar que é menos do que realmente é. Quero que você entenda, aceite e ame “seus defeitos” e que eles compõem a sua beleza. 

Só houve uma fase da minha vida que me senti bonita. Foi aos dezoito anos, emagreci muito – tomei remédio para emagrecer e cheguei a pesar 63kg com 1.75 de altura. E meu biotipo não é do tipo magra, mas, eu estava me achando a pessoa mais linda do planeta. Talvez nem tanto, porém, foi a fase que mais recebi atenção do sexo masculino (também a idade que eu descobri o lado pior dos homens). Eu era jovem, ingênua, ignorante e extremamente carente. Como sempre fui a “amiga da mais bonita”¹, “aquela que segura vela” ou a ponte para o garoto que estava apaixonada ficar com a garota mais bonita da escola, secretamente me sentia insuficiente. Todos os garotos que “queriam” ficar comigo era porque alguma amiga minha insistia que eu era legal – mas nunca bonita. E essas coisas, na idade de quinze/dezesseis anos é simplesmente o pesadelo. Na época, estava no meio de relacionamento que era tóxico, naquela idade eu sabia que apesar de gostar dele, não era certo e não me fazia bem. Mesmo sem entender, não conseguia aceitar a sensação que ele me passava: que devia ser grata por ele estar comigo, porque eu não era bonita o suficiente para ter atenção dos outros. 

Esse peso de não me aceitar me afundou cada vez mais conforme os anos passavam, chegava ao ponto de não acreditar porque um cara estaria interessado em mim. E quando me deixei levar por um novo relacionamento e ele acabou porque não era para acontecer, o meu primeiro pensamento foi que minha vida tinha acabado, ele era um herói aos meus olhos por me desejar. Demorou um tempinho, passei por outro relacionamento que me fez enxergar quem eu era (valeu Bru!) e mesmo assim, foi me arrastando, me esgueirando das pessoas e sendo aquela que se encolhia na balada quando parei e pensei: não posso continuar assim. Foi um processo, meu primeiro passo foi olhar para tudo que tinha de “errado” comigo. Aceitar meu olho estrábico, minha altura, meu peso, o tamanho dos meus seios, minhas estrias, as celulites que foram aparecendo, meu dente quebrado, meu sorriso torto e o meu rosto redondo. Foi olhando para todas essas coisas que me fazia sentir MENOS que os outros que percebi que era linda. E que eu não tinha que ser considerada a mais bonita, porque isso não existe. 

As minhas eram as mais bonitas porque eu não conseguia me achar bonita, não tinha sequer uma autoestima para ser ferida e meus relacionamentos eram completamente tóxicos porque eu permitia que eles achassem que eram bons demais pra mim. Sente-se diante do espelho e se ame. Cada pedacinho seu é especial, perfeito e belo. Você não precisa e não deve ter o corpo que a mídia impõe, o rosto assimétrico e o sorriso perfeito, brilhante e que pode ser passado no comercial do creme dental. Aceite seu biotipo, abrace seu peso – falaremos sobre peso ideal em outro momento – mas se ame do jeito que estiver, olhe para suas marcas e respeite-as, elas estão no seu corpo para te ensinar sobre atitudes tomadas geram consequências, até as mais bobas. Você é linda. Não existe um padrão, quebre esse tabu, largue de mão todas essas doutrinas que precisa apertar seu corpo em uma cinta porque a sociedade não aceita uma pancinha – e da última vez que usei uma, precisou ser cortada na tesoura. Por que nos colocamos em situações como essas? Pense nas suas atitudes relacionadas a beleza, sobre o quanto você se machuca e se encolhe para “caber” no que os outros pensam sobre você. Veja que do outro lado do muro, tem um lugarzinho onde a liberdade de ser você mesma é maravilhoso, é preciso muita luta e muitas fases de “luto” pelas regras bobas que irão perdendo, mas depois que descobre o quão bom não se preocupar com a moral alheia, vai amar ser você mesmo.. Descubra-se, é mágico. Aceite-se, é perfeito. Ame-se, é possível voar. 

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